terça-feira, 7 de dezembro de 2010

População vai às ruas comemorar dia da Consciência Negra

As comemorações pelo dia da Consciência Negra em Salvador não param, e a população do estado onde tem mais negros fora da África, não poderia ficar de fora das homenagens. No Pelourinho, avós, mães, filhos, pessoas de comunidades do interior da Bahia chegam para festejar a data e relembrar a o dia da morte de Zumbi dos Palmares.
Confira as imagens e histórias de pessoas comuns que também simbolizam o dia da Consciência Negra:

Maria das Mercês, aposentada, afirmaque a descriminação é o maior problema. Sei neto, Rian, de 14 anos, é descriminado na escola por ter cabelo ‘rastafari’. 'Meu neto é chamado de cabelo de urubu no colégio’, pelos professores e colegas.



Cortejo das baianas faz lavagem da estátua de Zumbi dos Palmares


Ana, baiana há 07 anos, e Valquiria, baiana de receptivo há 19 anos, acreditam que o reconhecimento da cor negra pelos próprios afro-descendentes é o mais importante do dia da Consciência.


Apesar das comemorações, o dia também foi marcado por protestos. Pedro Reis, da associação de bairro de Pirajá, não concorda que o dia seja apenas 'coisas boas'. 'Acho que consciência negra é todos os dias. Trouxe essa faixa para simbolizar os problemas que o negro suburbano sofre na infraestrutura e na saúde.

Lívia, radialista moradora do município de Conceição do Almeida, é representante do grupo de juventude negra da cidade. 'Vivemos em um momento no mundo em que se pede paz, não a guerra. Nós estamos em luta pela descriminação'.

Batuque do bloco A Mulherada reúne a população no Pelourinho

Dia da Consciência Negra é marcada por homenagens na cidade

Turistas e baianos se reúnem no centro da cidade para homenagear Zumbi dos Palmares e os Afro-descendentes

Mizael Rastafari, dono do único salão de beleza para cabelos rastafari, em Salvador, acredita que mesmo a data sendo improtante para a população, é imporante relembrar um dado iumportante. 'Os jovens negros estão sendo mortos'. Para ele, o crime na cidade está acabando com a sociedade e principalmente, os adolescentes. 'Tudo dizem que é por causa do tráfico de drogas, mas precisamos ver, é que muitos jovens negros morrem todo dia'.  

Os irmãos Katerine, de 04 anos, e João, de 06, foram levados pela avô para a comemoração, para desde cedo, já saberem a importância do dia para a sociedade
Yorùbá: língua, memória e parte da consciência do povo negro
Vovô: 'Bahia continua sendo uma terra muito perversa e racista'

ATRIZ MOÇAMBICANA SOFRE DESCRIMINAÇÃO RACIAL EM SÃO PAULO

A bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana da atualidade



"Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?"
Original: Revista Época
Por: Eliane Brum


Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. "Você já sofreu discriminação por ser negra?". Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: "Sim. Ontem". Lucrécia falou com ênfase. E com dor. "Aqui?", eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. "Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares", contou. "Como assim?", perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho. Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: "Ai, minha bolsa", apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. "Desculpa, eu nem percebi", disse. A mulher tornou-se ainda mais agressiva. "Ah, agora diz que tocou sem querer?", ironizou. "Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração." Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. "Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos. "A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?Lucrécia não consegue esquecer. "Não pude dormir à noite, fiquei muito mal", diz. "Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim." Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. "Eu nunca fui discriminada dessa maneira", diz. "Dá uma dor na gente. "Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva. Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. "Era a palavra que a fazia levantar", diz Lucrécia. "Sua voz a manteve viva." Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo. Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto. Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia. "Fiquei pensando", me disse. "Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?" Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz.
Porque todos somos humanos, apesar da cor da pele
Crianças

Não vou escrever o que me apetece, estive quase a seleccionar uma serie de frases que li hoje e colocar aqui, não o vou fazer,só vou dizer que o racismo e a descriminação são uma coisa muito feia e que me choca completamente.....e acreditem ou não, choca-me mais quando as pessoas se escudam em desculpas esfarrapadas para se justificarem.

Todos nós temos o direito a ter opinião, todos nós temos direito a ser e a acreditarmos no que queremos, agora, podemos enganar o mundo, mas não nos podemos enganar a nós próprios.


Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.

visão do desastre

"Consumo de Drogas para o uso próprio não é crime"

A nova lei Antidrogas não considera mais como crime o porte de drogas para uso próprio
.
A lei nº11. 343, a chamada lei “antidrogas”, foi sancionada em 23 de agosto de 2006, e desde então gera muitas controvérsias e debates no âmbito da descriminação do consumo de drogas.
 
Antes da criação desta lei, a pessoa que adquirisse, guardasse ou trouxesse consigo, para uso próprio substância entorpecente ou que determinasse dependência física ou psíquica sofreria de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos de detenção.
 
Atualmente usando-se da lei antidrogas quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar não será mais submetido a pena privativa de liberdade mas apenas terá de se submeter às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Além do autor dessa infração não poder ser preso em flagrante. O que significa a não lavratura do auto de prisão em flagrante e não condução ao cárcere.
 
Desde então os juristas se dividiram em duas correntes doutrinarias, uma que considera que o conteúdo desta lei descriminaliza (tira o efeito de crime sobre o ato) o consumo de drogas para uso pessoal e outra oposta a essa.
 
Segundo os doutrinários que defendem a descriminação do consumo de drogas por meio desta, a nova lei não considera mais como crime o porte de drogas para uso próprio, mas considera apenas como um ato ilícito, porém não penal, mas um ato puramente antimoral.
 
De forma oposta os doutrinários que consideram essa lei, como árdua defensora dos cidadãos, argumentam que a “Lei Antidrogas” não descriminalizou a conduta de porte de entorpecente para uso próprio. Apenas, diminuiu a carga punitiva.
 
No dia 31 Março, Ronaldo Lopes, preso com 7,7 gramas de cocaína, foi absolvido pelo tribunal de justiça de São Paulo (TJ-SP). Entendendo-se que o porte de drogas para consumo próprio não é crime.
 
Um dos relatores do caso, juiz José Henrique Rodrigues Torres, argumentou que apenas a quantidade de drogas não é determinante para saber se alguém e traficante. E entendeu que classificar como crime o porte de drogas para consume próprio é inconstitucional porque viola os princípios da ofensividade (não ofende a terceiros), da intimidade (trata-se de opção pessoal), e da igualdade (uma vez que portar bebida alcoólica não é crime).
A decisão vale para o caso de Lopes, mas abre precedentes para todos que peçam o mesmo tratamento.
* Marcos Berily Bento é estudante de Jornalismo da UESPI Campus de Picos e repórter estagiário deste Portal FCS e do Jornal de Picos.